Inutilidades Prosaicas ou Poéticas - Solidez

Poema sobre a Solidez

Mateus Silva Feitosa

4/27/20261 min read

SOLIDEZ

Tão frio,
tão escuro aqui em baixo.

Tira-o do silêncio,
molda-o à sua vontade.

Queima-o tal como fariam no inferno,
sem que se fira a pele,
ou que nessa sinta algum calor.

Arranca do corpo sua alma,
e enobrece-o do medíocre,
ininterrupto e inabalável normal.

Tira dele o que é eterno,
e coloca no lugar o que é tosco.

Alimenta-o do vazio,
do efêmero.

Do Oco advém ecos,
Ecos de viver,
que transcendem a alma
e são menos que a porca matéria.

Não há mais conteúdo,
tampouco forma.

Tudo nos é monstruosidade,
tudo é ferir,
assim é o existir.

E viver da maldade,
dessa subsistir,
fazer-se a cada tentativa
mais jovial,
e menos inteiro.

Ignóbil o que escreve,
pueril o que lê,
maquiavélico o que aplaude,
imundo o que se emociona disso.

Dessa inutilidade da presença do Mundo,
na realidade duma mente
cujo esforço é o de não se manter sã.

De tirar faz-se cheio,
de cheio está vazio,
de vazio em vazio
volta a estar cheio.

De incontáveis vazios preenche-se.

De preencher-se consome o nada,
pelo nada também é consumido,
e disso faz-se eterno,

porque retorna do nada
para o significado.

A partir desse significado
faz uma vida,

e dessa faz a obra do infinito
que se perpetuará
até que os vazios
parem de preencher-se per si.